Parque Nascentes do Tietê: preservação do rio que fez a história do estado


Já imaginou beber a água direto do rio Tietê? Isso é possível a 96 km da capital paulista, em Salesópolis



Longe do ritmo frenético da cidade de São Paulo, o Parque Nascentes, administrado pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), protege o local onde nasce o mais paulista dos rios: o Tietê. Em meio a uma paisagem abraçada pela Mata Atlântica, lar de animais como jaguatiricas, tatus, cobras, veados e mais de 70 espécies diferentes de pássaros, o local, que fica na cidade de Salesópolis, no Alto Tietê, conta com 1,34 milhão de metros quadrados, vista para nascente e um espelho d’água onde os frequentadores podem beber a água do rio direto de sua nascente.


O espaço, que recebeu cerca de 30 mil turistas ao ano até 2019, oferece visitas monitoradas e educativas em quatro trilhas (da Nascente, da Araucária, da Pedra e do Bosque); um museu iconográfico com fotos sobre diversos aspectos do rio; a época em que era navegável e abrigava competições de remo; o histórico sobre o rio; as cidades que percorre e a eclusa de Barra Bonita. Além disso, há uma sala das águas, onde através de vidros parecidos com tubos de ensaio, é possível analisar e observar a qualidade das águas. Amostras do Tietê indicam também a cor da água, que vai se alterando ao longo dos municípios por onde ele passa: Salesópolis, São Paulo, Pirapora do Bom Jesus, Salto, Tietê, Barra Bonita, entre tantos outros.


Atuando no parque desde sua inauguração em 1996, o diretor Gastão Gonçalves destaca que a preservação da vegetação nativa é fundamental para propiciar uma boa vazão do lençol freático que alimenta as nascentes. “Além de proteger o solo da exposição ao sol e da ação de agentes poluidores, essa cobertura (vegetal) acumula o orvalho que lentamente rega a área”, explica. “Já em grandes eventos chuvosos, as espécies nativas retêm o impacto da chuva, evitam a erosão e facilitam a infiltração da água. Todos esses fatores contribuem para a estabilidade do lençol freático e a saúde da nascente.”


Devido à pandemia causada pela Covid-19 (Novo Coronavírus), o parque está fechado. Quando reaberto, a visitação voltará a ser diária, das 8h às 17h (leia mais abaixo).


HISTÓRICO

O Tietê é um curso d’água atípico. Embora sua nascente se localize na Serra do Mar, a apenas 22 quilômetros do oceano, ele corre para o interior por mais 1.100 quilômetros, até desaguar no rio Paraná, em Itapura, após banhar 62 municípios paulistas.


Essa característica, que o distingue dos demais rios brasileiros, fez do Tietê a primeira rota de penetração para o interior do continente, já no início do século 16, usada por aventureiros que desbravaram os sertões, fundando povoados ao longo de suas margens.


A descoberta da nascente do Tietê se deu durante uma expedição da Sociedade Geográfica Brasileira para comemorar do 4º centenário de São Paulo, em 1954. A área, uma chácara de propriedade particular, encontrava-se devastada, fruto do corte da madeira para a fabricação do carvão e, posteriormente, para o uso da pecuária, com pastagens.


A nascente foi tombada em 21 de fevereiro de 1990 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio, Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e, gradativamente, tem sua vegetação natural retomada. Hoje, a floresta mostra-se bastante recuperada, ocupando todo o espaço do parque.


SERVIÇO:


Devido a pandemia o parque encontra-se temporariamente fechado


Após a reabertura:


Funcionamento: todos os dias, das 8:00 às 17:00


Ingresso: R$ 5,00


Endereço: Estrada do Pico Agudo, altura do km 6, Bairro Pedra Rajada, em Salesópolis-SP.


Telefone: 3204-7901

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